VIVER - MARCUS BUENO
CQC e as Igrejas evangélicas
Vai ser fácil reconhecer a trupe do CQC.
Afinal de contas, são sete homens vestidos de terno preto, usando inseparáveis óculos escuros. Mas a principal marca do time "Custe o que custar" é a irreverência.
Com humor inteligente, audacioso e muitas vezes ácido, o programa faz um resumo semanal das notícias, e nessa varredura dos fatos importantes, sob o olhar atento do CQC, ninguém escapa. No estúdio, quartel general do CQC, Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marco Luque assumem a bancada, e além de conduzir o programa ao vivo terão a missão de comentar livremente os principais assuntos da semana.
Band – Segundas às 22h
Se você ainda não assistiu o Custe o Que Custar (mais conhecido como CQC) vale a pena, no mínimo, dar uma espiada (nada a ver com Big Brother). O programa resume notícias da semana com um toque de bom humor e garante algumas risadas nas noites de segunda.
Independente do conteúdo do programa, sendo agressivo e imoral para alguns,divertido para outros(eu vejo e retenho o que é bom), me chama a atenção as atitudes do programa com relação a mobilização NACIONAL (É! Brasil!) que a trupe de Marcelo Tas consegue realizar fácil, fácil. O mais marcante momento foi a campanha CQC no Congresso. Veja o que era:
O CQC Congresso é uma campanha criada pela galera do programa Custe o que Custar da Band e tem como objetivo principal conseguir autorização para que o CQC possa entrar no Congresso.
Uma das maneiras mais fundamentais de garantir e manter a liberdade de expressão num regime democrático é ter livre acesso aos políticos e parlamentares responsáveis por zelar por esse mesmo regime.
Esse direito foi retirado dos repórteres do programa CQC, “Custe o que Custar”, no ar pela Rede Bandeirantes de TV, que estão proibidos pela Câmara/Senado de entrarem nas dependências do Congresso para realizar suas tarefas jornalísticas.
Os políticos não queriam responder às perguntas dos repórteres do programa. Eu rolava de rir quando os mesmos perguntavam aos deputados “aquilo que eles querem responder”. Perguntas como: “_Deputado, que horas são?” – “_Três e meia.” – responderia a vítima – “Obrigado!”. Perguntas como: “_Qual a cor da sua gravata?” e outras faziam parte do repertório de questões.
O que chama a atenção é que o Congresso entendeu que o programa era de humor e não um jornalístico. E aí foram expulsos, apesar de terem as credenciais necessárias para adentrar a Casa. Sentindo-se vítimas de preconceito e injustiça, o programa propôs uma intervenção Nacional: A Campanha CQC no Congresso.
Foram mais de 260.000 assinaturas em mais ou menos 2 meses. E o programa foi liberado. “Vitória da Democracia!”
Um dos Repórteres, o Rafinha Bastos estrela um quadro igualmente inusitado: o PROTESTE JÁ!
No quadro, Rafa corre atrás de respostas a protestos feitos pelos espectadores e internautas sobre assuntos que merecem atenção.
Um bom exemplo disso foi a DIETA DA CESTA BÁSICA, onde o apresentador ficou um mês se alimentando com elementos da cesta básica, a fim de comprovar se ela é “básica” mesmo, ou seja, se um brasileiro sobrevive com a mesma. O médico que acompanhou Rafinha durante esse mês disse que não é aceitável que uma pessoa sobreviva à base da cesta, somente.
MAS O QUE O CQC TEM A VER COM IGREJA BRASILEIRA?
No meu ponto de vista atual? NADA!
A Igreja Evangélica Brasileira tem mostrado frutos muito aquém daquilo que Jesus ensinou. Na Televisão, nós vemos apenas o famoso discurso: PARE DE SOFRER, VENHA SER CURADO, VENHA BUSCAR A SUA BÊNÇÃO.
Talvez seja exagero da minha parte. Me perdoe se você pensa assim. Mas o exemplo do pessoal do CQC me constrange. Os caras conseguem mobilizar o povo que conquistou com seu carisma e por correr atrás dos “direitos do cidadão comum”. A igreja não deveria ser assim?
Vivemos em dias de cristãos inertes, que não conseguem mudar a realidade do ambiente em que estão inseridos. De acordo com pesquisas recentes, somos MILHÕES. Se 260.000 pessoas engajadas conseguem mudar uma situação, o que pensar de milhões?
Enquanto você está em casa assistindo o jogo ou a novela, tem gente morrendo de fome, de frio e sem amparo, sem família e nem amigos. Gente que Deus criou pra VOCÊ amar. Às vezes a gente deixa essa Missão pro Ministério de Ação Social, afinal “foram chamados pra isso”. O Cristão Brasileiro ta pouco se lixando para o que acontece no país. Vota em qualquer um e depois não cobra resultados. E quando cobra, sempre é visando seus interesses.
Quando é que a nossa lanterna vai iluminar? Será que nós só apareceremos quando vem um escândalo à tona? Será que sempre seremos conhecidos por este estereótipo que a mídia apresenta? A Televisão só mostra Pastores, Apóstolos e Bispos cheios de poder e dinheiro, comprando emissoras de TV que nem sempre apresentam conteúdo integralmente cristão, cujos programas que “falam de Deus” são vistos apenas de madrugada e que estão envolvidos em escândalos, maracutaias e até mesmo crimes.
Sei lá. Acho que esta coluna é do tipo “Comício solitário de candidato que está por último nas pesquisas”. Mas deixei o meu recado.
Espero que o ensinamento de Jesus comece a vigorar logo:
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mateus 5:16
Se começarmos uma revolução em nossas Igrejas, visando o bem do próximo, lutando pela Justiça no nosso país e sendo uma REFERÊNCIA PARA A SOCIEDADE, nossa verdadeira luz brilhará. O que deveríamos ser, aparecerá. Deus quer o nosso melhor. Temos que lutar com todas as nossas forças. Custe o Que Custar!
Marcus Bueno dedica essa coluna aos seus grandes amigos Eduardo Aducca e Daniel Chaves que participaram do CCQC (Caminhada Custe o Que Custar) na Igreja Batista em Jd Assunção.
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