MARCUS BUENO - VIVER
Como ter vida abundante
É manhã de domingo.Ronaldo acorda às
7:30h e cutuca Sílvia sua esposa.
_ Amor! Tá na hora! Vamos pra Igreja!
Começa a Maratona Dominical do Seu Ronaldo.
Com uma incrível agilidade, dá um salto
por cima da cama e cai diretamente em seu par de
chinelos. Sílvia também rapidamente
coloca um roupão e corre pro banheiro. Seu
marido vai ao quarto dos filhos e começa a
gritar:
_ Igreja! Igreja! Tá na hora de levantar,
cambada!
Resmungos de “Só mais um minuto, pai” são
completamente ignorados. Com uma incrível
manobra ninja, Ronaldo arranca os cobertores das
duas camas e levanta os meninos que aguardam na porta
do banheiro a mãe terminar seu banho.
Berros, gritos e correria de quem vai pegar um avião
em duas horas e ainda não arrumou nenhuma
mala. Ronaldo já está pronto. Bíblia,
material da EBD, Hinário, caderninho de anotações
e telefone celular no modo silencioso. “_ Se
tocar, não faz barulho e não atrapalha
o culto!” – orgulha-se de seu zelo para
com a Casa de Deus.
Às 8:20h Sílvia sai do banho e voa
para o quarto, enquanto os meninos se aprontam. Tendo
ciência de seu “zelo” no banho,
já havia preparado 3 roupas para escolher
a que iria ao Culto da manhã. Finalmente seleciona
um terninho básico com seus novos sapatos,
mas não acha a tarracha do único par
de brincos cuja cor combina perfeitamente com a roupa.
“_Vai sem brinco mesmo!”- resmunga.
Na descida da escada contempla a desgraça
do cabelo do filho que parece um rabisco de uma criança
de 2 anos feito no boletim da Igreja, enquanto o
outro continua no banheiro sofrendo os efeitos da
mistura daquelas pizzas salgadas e doces no rodízio
do dia anterior.
Ronaldo toma seu café muito rápido
e queima a língua. Ameaça soltar um
palavrão, mas recorda-se de quem é e
para onde está indo. Os olhos arregalados
de sua esposa e filhos voltam ao normal e terminam
o café. O relógio da cozinha marca
8:50h.
Trancam a casa e vão pro carro: um magnífico
Gol ano 85 verde-bandeira movido a álcool.
As intercessões para que o carro pegue na
primeira parecem ter sido ignoradas.
_ Deus! Tu sabes para onde quero ir! Me ajuda!
Por um milagre, o carro pega e Ronaldo acelera o “Incrível
Hulk” (apelido dado por um adolescente da Igreja)
e passa por faróis vermelhos, quase atropela
um casal de namorados e um cachorro.
Chega na Igreja às 9:15 e pega a escola no
começo. Aula de hoje trata do cristão
envolvido na evangelização. Nos calorosos
debates entra-se em discussão a estratégia
de uma Igreja ali perto de utilizar street dance
e uma banda de Rock. As opiniões divergiam.
Ronaldo tem um temperamento muito forte e, por ter
sido criado num ambiente extremamente tradicional,
foi totalmente contra uma idéia dessas, uma
vez que “dançar é coisa do mundo!”
Nesse momento, Silvia pensou no termo: “Coisa
do Mundo!” O que é o Mundo? Lembrou-se
que “O Mundo jaz no Maligno!” e também “Não
ameis o Mundo e nem o que no Mundo há!”
Quando acabou a EBD voltaram para a casa. Então
Sílvia pensou em sua vida e o que poderia
ser “do Mundo” e o que não poderia.
Começou meio inocente a se lembrar de coisas
que fazia durante a semana e desde aquele dia passou
a observar seu esposo e sua família e fazer
uma sincera análise do “Mundo” que,
segundo a opinião de seu marido, tinha coisas
muito ruins e prejudiciais que os “salvos e
remidos pelos Sangue do Cordeiro” não
deveriam partilhar.
Na sua análise, percebeu que sua família
ia à Igreja e lá dentro se transformava:
o marido se tornava um pai de família com
princípios muito sólidos, mas que na
semana era extremamente displicente. Que bradava
na Igreja que “os mentirosos não herdarão
o Reino de Deus!”, mas quando o seu chefe ligava
no sábado para convocá-lo para um serviço
extra ele pedia para os filhos dizerem :”_
Meu pai não está!”
Lembrou-se do café quente no domingo quando
o palavrão não saiu, mas ficou no coração
de Ronaldo e mais tarde na corrida com o “Incrível
Hulk” eles não saíram mas mudaram
as atitudes no trânsito que, mais tarde, ele
justificou dizendo que “tinha que chegar na
hora para Cultuar a Deus”.
Lembrou-se dos programas de TV escolhidos pela família,
onde algumas vezes se zombava da moral e da Igreja
dizendo que eram “enganadores de rebanho”.
Lembrou –se de seu marido rindo de um dos apresentadores
vestido de Pastor com varias notas de real saindo
pelos bolsos.
Aí colocou seus pensamentos no que seu marido
achava que era “do Mundo”.
Visitou um dos ensaios do grupo de dança
da Igreja citada no Domingo. Alí viu um grupo
de jovens começando seu ensaio de joelhos
e ouviu claramente uma jovem interceder com estas
palavras:
_ Senhor! Que nossos membros sejam instrumentos
de Sua Justiça e que eles na nossa apresentação
honrem o seu nome!”
Se emocionou ao lembrar que, quando criança
sonhava em ser bailarina. Mas seu pai não
aprovou, uma vez que dançar era “coisa
do Mundo”. Ficou pensando se o conceito e a
consciência fossem outros, talvez hoje ela
estaria liderando um grupo como esse em sua própria
Igreja.
Depois perguntou pelo ensaio da banda de Rock. Foi
informada que eles iam ensaiar no sábado,
porque naquele dia era o dia da Banda fazer estudo
bíblico sobre adoração. Achou
que isso era suficiente. Estava convencida sobre
coisas “do Mundo”.
O que será que nós, os “salvos
e Remidos no Sangue do Cordeiro” temos que
fazer para viver no Mundo? Será que o Mundo
que é dito no Evangelho é tudo aquilo
que não é feito dentro da Igreja? Será que
para sermos de Jesus precisamos nos trancar no Templo?
Fico pensando na zeladora da Igreja limpando o Templo
e lá encontrasse um dos diáconos escondido.
_ Que é isso, irmão?
Ele responderia:
_ Tô me escondendo do Mundo... Sou de Jesus.
Por isso, quero que você leia a nossa coluna
VIVER! Aqui vamos discutir como a gente vive, caminha,
escolhe, procede... enfim: como é que a gente
pode ter uma Vida Abundante que Jesus nos prometeu,
sem abrir mão de coisas que Deus nos proporciona
enquanto pessoas.
Por que vivemos no mundo, mas não pertencemos
a ele.
Um abração
Marcus Bueno
marcus_bueno@hotmail.com
Marcus Bueno é Músico, Líder
de Adolescentes e não gosta de se esconder
nos bancos da Igreja...
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