TRABALHO - MARCOS NONATO
Herança Maldita
“Esforcem-se para ter uma vida tranqüila,
cuidar dos seus próprios negócios e
trabalhar com as próprias mãos, como
nós os instruímos; a fim de que andem
decentemente aos olhos dos que são de fora
e não dependam de ninguém”
[
1Ts 3.11-12]
Estou cansado de ver se repetindo uma herança
maldita que a maioria dos brasileiros carrega nos
ombros como se fosse algo maravilhoso: o apadrinhamento
ou o paternalismo. Trazemos essa dependência
desde tempos remotos, quando começaram as
roubalheiras nas capitanias hereditárias.
E de lá para cá, perpetuamos isso,
seja em nosso local de trabalho, seja em nossa igreja!
Existem pessoas no mundo corporativo (e na igreja)
que são capazes de qualquer coisa para alcançar
a posição que desejam. Interessam-se
pelos outros com segundas intenções,
simplesmente porque o fulano conhece o diretor e,
a partir daí, tornar-se-á mais fácil
alcançar a tão almejada promoção!
Pensam: “nem que eu precise pisar na cabeça
de um ou dois, realizarei o meu sonho”. O mais
triste desta história, é que muitos
ditos “evangélicos” entraram nessa
competição. Não sei se levados
pela ludibriosa teologia da prosperidade que cada
vez mais se entranha na vida de nossas igrejas ou
porque de fato não são cristãos
coisa nenhuma! Só sei que em nome de Deus
têm-se pisado na cabeça dos ímpios
(ou da serpente) ou sei lá qual o nome que
utilizam para justificar sua ganância fora
de controle.
O trabalho foi feito para o homem e não o
contrário. Muitos de nós temos nos
desgastado absurdamente em horas a fio de uma jornada
desmedida e injusta para com Deus e com nossas famílias.
Tudo em nome de uma promoção, um novo
carro ou o status que isso é capaz de comprar!
A Palavra em 1º Tessalonicenses é claríssima:
devemos ter uma vida tranqüila, trabalhando
sim, mas sem depender de ninguém e dando exemplo
com nosso trabalho para os de fora!
Não dá mais para vivermos e utilizarmos
dos mesmos mecanismos que os não-cristãos
se utilizam para se dar bem. Estamos no mundo, mas
não somos do mundo! (Jo 17.14-16). Precisamos
depender de Deus (Mt 6.33), e acreditar que Ele já nos
capacitou para conseguirmos viver e trabalhar sem
depender dessas artimanhas do mundo.
Devemos buscar a paz que vem de Deus e a paciência
que vem da Esperança em Jesus, pois desta
forma cairá por terra toda crise de ansiedade
e toda depressão que estão tomando
conta da humanidade em nossos tempos.
Ser santo, não é ser um super-homem
ou uma mulher-maravilha ou um hiper-abençoado
(alguém rico como muitos acreditam). Ser santo é ser
separado para Deus, é viver o evangelho e
não apenas ter o título de “evangélico”.
Viver o evangelho também é não
ter um lugar para encostar a cabeça (Mt 8.20)
ou trabalhar com as próprias mãos para
não ser um peso para ninguém (1Ts 2.7-9).
Viver o evangelho é amar a Deus sobre todas
as coisas e o próximo como a nós mesmos,
e não amar ao Dinheiro acima de tudo e o próximo
como meio para alcançar meus desejos mesquinhos
de ganância.
Pense nisso e não se amolde ao padrão
deste mundo (Rm 12.2).
Um abraço do seu irmão em Cristo,
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