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PAPEIS AVULSOS - JUNIA BANDEIRA
Oriente Médio -
o grande mosaico
Ao ouvir falar de Oriente Médio logo pensamos em guerras ocasionadas pelos conflitos geopolíticos, homens bomba que morrem em nome do seu Deus, a questão do petroléo ou mesmo nos remetemos a terra santa berço de três religiões mundiais o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.
Segundo o presente atlas o Oriente Médio é composto pelo Irã, Iraque, Síria, Kuait, Qatar, EAU, Omã, Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Líbano, Israel, Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos.
Ao mudar o foco do nosso olhar vemos o Oriente Médio como um grande mosaico que é composto de diversas peças (países), com uma grande diversidade de povos, costumes e religiões. Compreender essa região não é uma tarefa muito fácil envolve valores que para os ocidentais podem parecer sem sentido, mas que para o povo dessa região significa a sua raíz, a estrutura da sua família, o seu porto seguro.
Há uma frase do músico Renato Russo que diz: “É a verdade o que assombra, o descaso o que condena, a estupidez o que destrói...”
Traduzindo essa frase para o universo desse grande mosaico que é o Oriente Médio repleto de tantos detalhes percebe-se que a verdade como modo de vida e crença para cada um desses povos tem um significado diferente, pensamos na verdade como única mas para os povos do Oriente ela é resultado da coerência de um sistema de crenças ou verdades anteriormente estabelecidas das quais não são questionadas apenas aceitas e praticadas e isso causa um assombro por não permitir que as pessoas tenham liberdade de escolha, o que gera um leque de questionamentos sobre vários fatores, dentre eles a questão da intolerância.
Ao longo da História uma das possibilidades de todo esse conflito geopolítico e de intolerância religiosa que gera todo um descaso que condena e uma estupidez que destrói como citado na frase acima pode ser encontrado em gênesis 15:13: “Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua, e servi-los-ão; e afligi-los-ão quatrocentos anos.” E um complemento em gênesis 21: 12 e 13 onde Deus fala a Abrão sobre a questão dos seus filhos Isaque filho de Sara que herdou Israel e Ismael seu filho com Hagar que pode ter gerado o povo palestino e com isso teríamos uma hipótese em relação a peregrinação do povo palestino e a questão de Israel. Mas isso é uma das possibilidades levantadas para se entender o motivo de tantos conflitos que desencadeou na questão da intolerância.
Segundo John Locke (filósofo empirista inglês – 1632-1704), em um dos seus livros entitulados “Carta Acerca da Intolerância”(1689), nos diz que “não é a diversidade de opiniões, mas a recusa de tolerância para com os que têm opinião diversa, o que se poderia admitir, que deu origem à maioria das disputas e guerras que se têm manifestado no mundo cristão por causa da religião.” (LOCKE, 1978, p.4).
Há séculos essas questões tem sido dicutidas e estudadas e na maioria das vezes quando falamos sobre esse tema nos remetemos ao grande mosaico do Oriente Médio, mas o que não pode ser esquecido é que a questão da intolerância não afeta apenas o mundo árabe, mas está por toda parte, seja por meio de atitudes individuais de intolerância de uma pessoa de uma determinada religião, seja por meio de perseguição exercida por uma religião contra outra religião, ou mesmo por questões de gosto ou costumes.
José Saramago um escritor português polêmico devido as questões religiosas e políticas levantadas em suas obras diz que é absurdo que as pessoas não compreendam que ao matarem em nome de Deus, estão transformando Deus em um assassino. Deus torna-se inquisidor, perseguidor e intolerante. As religiões “pintam” Deus à sua imagem e semelhança... o que deveria ser o contrário.
O ser humano em qualquer lugar do mundo mesmo com suas diferenças étnicas e culturais possui a mesma essência o mesmo sentimento de amor a vida e sobrevivência, um paradoxo se pensarmos na pouca tolerância presente no dia a dia.
Como a letra de uma canção precisamos de gente comum que ama de verdade, gente que quer um mundo mais verdadeiro, gente que unida o transformará.
SMITH, DAN. O atlas do Oriente Médio: conflitos e soluções. Publifolha – SP, 2008, pg.10.
Revista FILOSOFIA Conhecimento prático, Ed Escala Educacional - edição 23.
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