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CONTEMPORANEO-ANDERSON SIQUEIRA
O momento e a chuva
O momento sempre é rápido, passa repentinamente e deixa lembranças diversas. Ele nada mais é do que uma fatia do tempo, com um pouco mais de sal, eu diria, pois seu sabor é mais marcante.
Eu digo isso, por que sempre fico com saudade de pequenas frações temporais, em vez de lembrar-me de um tempo mais longo. A chuva, por exemplo, quando dura um momento, é percebida com toda a sua potência e grandeza. Lembramos dela, de seu cheiro, vitalidade e, mais do que tudo, da forma peculiar que ela tem de nos fazer pensar. Verdade! A chuva é, também, um momento, não?
Cada gota é uma peça do mosaico que constrói em nossas vidas um imenso calçadão de vivências, dificuldades... Quanta dificuldade! Certa vez, ouvi dizer que as lutas e dificuldades servem à vida como a pimenta serve à comida, ou seja, aceleram a nossa vontade de terminar de comer. Não sei se é verdade... Eu gosto de comer pimenta pelo sabor... Então, se problema for pimenta, eu sei que arde, mas acrescenta sabor... E a ardência se resolve com água, água da chuva! Voltemos, então, à chuva.
Como eu dizia, ao pararmos para observar a chuva, sempre pensamos em nossa vida. Nestes momentos a chuva é tão fantástica, que além de suprir necessidades como regar o solo, encher os reservatórios e girar o ciclo de vida, ela enche também nossos corações de nutrientes, de vida, pois água é vida! Como isso pode acontecer? O Criador talvez tenha pensado que seria necessário criar momentos de reflexão para os seres humanos, momentos nos quais ele se enche de vida.
Imaginemos a vida na floresta, após um longo período de sol, toda a natureza chora, inunda rios e brejos de vida... Estaria toda a floresta refletindo sobre sua existência? Não sei, o fato é que se nós fossemos, por um momento, a chuva do outro, dar-lhe-íamos um momento de vida, de reflexão... O tempo é inexorável, entretanto o momento é flexível e permite-nos essa extravagância de sermos chuva para o outro.
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